Fake News - É falso dizer que é um fenômeno novo

 


Neste final de semana tive a oportunidade de assistir um filme que conta a história de um jornalista independente e desconhecido que resolve, por conta própria, investigar o sucesso econômico de um governo de orientação socialista. Ele não conseguia entender como era possível, em meio a uma grave crise econômica mundial, que esta nação se destacasse com um desenvolvimento impressionante, divulgado ao mundo por outro jornalista extremamente creditado pelo prêmio Pulitzer que havia ganhado. Para os desavisados, o prêmio Pulitzer está para o jornalismo como o Oscar está para o cinema. Ao chegar a esta nação ele descobre que o sucesso econômico é amparado na exploração total de uma população menos favorecida. Ao retornar ao seu país, este jornalista tenta divulgar sua história e é taxado de louco e mentiroso por “inventar” a história de um genocídio ocorrido contra uma população inteira. O jornalista premiado, residente na nação pretensamente pujante, desacreditou a história do desconhecido repórter, taxando-a de uma verdadeira Fake News.  O jovem jornalista chegou a ser rotulado de louco.

Esta história pode ser assistida no filme “A Sombra de Stalin” (Mr. Jones –  Titulo Original). O jovem jornalista é Gareth Jones que , em 1933, conheceu os horrores impostos por Joseph Stalin aos moradores da Ucrânia. Suas denúncias foram classificadas como mentirosas por Walter Duranty, jornalista americano que trabalha para URSS e que recebeu o Pulitzer no mesmo ano de 1933.

Vi nesta história uma semelhança muito grande com o momento que vivemos. Na discussão sobre o que é Fake News ouvi outro dia a seguinte frase intrigante: “Não acredite em tudo que lê, assiste ou escuta nas redes sociais. Confirme se é verdade com jornalistas renomados em órgãos renomados de impressa”. Me dei conta que a discussão de quem detém o monopólio da verdade não é nova. Notei que o aliciamento da mídia pelo poder político tem o objetivo claro e evidente de estabelecer o oráculo da verdade, manipulando informações e mentes para estabelecer uma visão distorcida da realidade, mas adequada aos interesses de quem domina este oráculo.

Recomento o filme como uma forma de se entender a importância do jornalismo independente como forma de nos livrar do controle daqueles que conhecem muito bem os caminhos do controle da “verdade” para realizar seus interesses.

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