Nem todo galho reproduz arvores com mesmo fruto. As vezes nem fruto dá....

Fonte da imagem: https://images.app.goo.gl/jqQB2o7QKcGuVBGD9

Era uma vez, em uma terra distante no tempo e espaço , um líder muito importante e respeitado de uma organização extremamente relevante para a nação. Este importante líder tinha filhos que assumiram posições de comando na mesma organização. Estes filhos, porém, não honravam o bom nome do pai.
Registra a história que estes filhos usavam da posição que tinham, na organização liderada pelo pai, para obter vantagens. Tomavam para si donativos que deveriam ter destinação diferente da sua alimentação. A corrupção e ousadia destes jovens chegava ao ponto de promoverem exploração sexual, usurpando do poder que lhes fora confiado. O pai tentava, em vão, corrigi-los. Mas a falta de respeito pelas orientações do pai eram evidentes. O pai, respeitado pelos de fora de sua casa, não conseguia impor sua autoridade aos seus herdeiros.
Ao ler a história até aqui, talvez esteja considerando que esta triste narrativa se encaixa perfeitamente em alguma família poderosa contemporânea que você conheça. Porém os fatos narrados podem ser lidos no capítulo 2, do Primeiro Livro de Samuel, no bom e Velho Testamento.O nome dos filhos malévolos era Hofni e Finéias, também apelidados de "filhos de belial", numa alusão ao nível de perversidade destes elementos. O Pai, chamava-se Eli, e este era o maior entre os líderes religiosos da nação judaica. Esta história aconteceu a cerca de 3000 anos atrás, mas temos visto recorrentemente até o presente estes fatos ser repetirem em diversas organizações, sejam estas privadas, públicas ou religiosas.
Porque encontramos tantas histórias de insucesso na transição de poder de pais a filhos em diversas instituições?
Não quero ter a presunção de estabelecer uma tese precisa e definitiva sobre o assunto, mas gostaria de pontuar algumas impressões de causas e consequências que me parecem relevantes para responder a este questionamento e entender sua importância.
1º - Muitos pais lideram muito bem as organizações sobre sua responsabilidade, mas não tem a menor idéia de como seus filhos estão sendo preparados para substituí-los em suas atividades. O envolvimento os afasta da família e de exercer a liderança em seu lar. Delegam excessivamente sua responsabilidade paterna (ou materna) ao conjunge , quando não a fazem a terceiros absolutamente estranhos no seu ninho. Assim, seus filhos são ilustres desconhecidos que carregam seu sobrenome no registro civil.
2º- Outros exercem com extrema eficiência sua liderança organizacional, porém, não tem o mesmo desempenho na liderança familiar. Ou seja, mesmo sabendo que seus herdeiros não tem identidade com a organização que conduzem, não conseguem negar a família a pretensão de também comandar onde papai (ou mamãe) dita as regras. Parece que há um certo direito de sucessão exclusivo ao DNA que parece ser absoluto, maior até que a razão e evidência da avaliação de descompasso entre a liderança de pais e filhos.
3º - Como resultado do desconhecimento, os pais passam a viver de suposições em relação aos filhos. Supõe que pensam da mesma forma sobre o mundo, ou seja, tem a mesma cosmovisão. Supõe que têm os mesmos objetivos de vida, o mesmo padrão ético, religioso e de compromisso. Como resultado da fraca liderança familiar não enfrentam, em casa, suas diferenças e as levam para o ambiente de trabalho. Isto é interessante, porque dificilmente um gestor contrataria para trabalhar consigo pessoas sem identidade de propósitos e comportamento. Mas é comum que pais acreditem serem capazes de liderar no trabalho filhos que mal conhecem ou que não conseguem controlar em casa.
4º - Como consequência, para a organização, a incoerência passa ser o padrão comportamental da relações internas e até externas. Incoerência em relação a valores, objetivos e missão da organização. Sem coerência o sentimento de injustiça é o que prevalece. Sem sentimento de justiça a organização definha em busca de tornar os envolvidos comprometidos com os objetivos.  Sem objetivos o crescimento perde sentido e a indiferença passa a ser senhora das escolhas e decisões.
Para livrar a organização deste triste fim é preciso literalmente cortar na própria carne. Decisão difícil para qualquer gestor. Não existe elemento mais difícil de ser retirados das organizações do que aqueles que tem laço de sangue com os superiores ou fundadores.  Ou se poda os galhos enxertados na arvore e que não produzem frutos ou eles serão fonte constante de pragas ou doenças. Ou se tira quem não tem identidade com os valores da organização ou melhor já ir se acostumando com constantes pertubações que minam a estabilidade organizacional e a podem levar ao colapso.
Obviamente que é possível que filhos e pais encontrem caminhos e objetivos comuns e assim se torne necessária uma segregação profissional. É uma solução certamente mais agregadora. Porém, requer mais energia, diligência e desprendimento. Neste caso é preciso podar comportamentos, valores e objetivos pessoais. Para Eli e seus filhos isso não foi possível. Os filhos não ouviram a exortação do pai e por isto foram mais do que retirados da organização. Registra o texto que a condenação de seus atos por Deus os levaram a morte. Pode parecer duro, mas no caso desta história a penalidade para quem agia de forma tão distante dos valores de uma sacro-organização foi a destruição total.
Desejo aos grandes líderes que trabalhem diligentemente em suas famílias para poder contar com os elementos que deveriam, pela lógica, ser os mais interessados em seu sucesso, ou seja, seus filhos. Aos filhos que honrem o legado organizacional construído ou em construção por seus pais.

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