A difícil decisão de falar sobre o que está errado,com a pessoa certa e da forma correta.
A difícil decisão de falar sobre o que está errado,com a pessoa certa e da forma correta.
Texto base para reflexão: Mateus 18:15
“Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste teu irmão.”
Introdução:
Cristo está orientando seus discípulos à como se relacionar entre si, dentro da organização que começara a surgir que hoje chamamos de Igreja. Uma comunidade de pessoas que seguem os ensinamento de Jesus, creem na sua divindade e que, por conta de se considerarem adotados pelo mesmo Pai, tratam-se como irmãos. Unidos pelos mesmos valores, crença e objetivo precisam conviver juntos, embora contaminados pelo pecado natural.
Neste texto Cristo estabelece o padrão de conduta para uma situação que é crítica em qualquer organização com pessoas. Como proceder quando me sinto ferido, agredido e injustiçado pelo pecado de meu irmão contra mim?
O objetivo deste texto é explorar as orientações de Cristo , para aplicar na nossa vida a bem da Igreja, da família ou de qualquer outra comunidade que nos relacionamos, até o trabalho.
1)Enfrentar o problema
Cristo é enfático. “Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo…” . Se esconder do problema ou abafar a mágoa dentro de você não resolve. O que resolve é enfrentá-la. Abafar o que te deixa infeliz é como tentar bloquear nosso sistema digestivo quando comemos algo que não nos faz bem. Na realidade, nosso corpo só se recupera quando nossos sistemas de defesa atuam contra os inimigos e conseguem eliminá-los do nosso organismo. Da mesma forma as mágoas nos causam mal estar. Mantê-las vivas em nossa alma nos faz definhar. Rei Davi , no Salmo 6:7 , afirma que seus olhos estavam amortecidos por conta da mágoa que sentia do seus adversários. O corpo padece diante da tristeza. É o que a medicina chama de doença psicossomática.
2)Enfrente o problema com quem pode resolvê-lo
Cristo determina que seus seguidores procurem quem é o causador de das mágoa para tratar o problema direto na fonte. É comum nos esquecermos disto no momento de tristeza e principalmente da ira ou raiva que a mágoa produziu. Queremos resolver o problema levando a pessoas que não podem tratá-lo, e não muito raro, somente aumentam o ruído da comunicação que acaba distorcida e mais difícil de decodificar e restabelecer. Quando colocamos intermediários no conflito, sem tentar resolvê-lo diretamente, corremos o risco de ter nossas considerações distorcidas, manipuladas e interpretadas de forma que não podemos nos defender. E pior, ainda pode ser que um problema que existia de forma velada ganhe publicidade indevida e distorcida.
3)Tenha o objetivo de convencê-lo do erro, e humildade para descobrir e aceitar os seus .
“Se ele te ouvir, ganhaste teu irmão”. O sentido do ouvir aqui não é apenas de o outro ouça suas palavras. O sentido é de que se ele for convencido do erro, há grandes chances de reconciliação e recondução do relacionamento ao padrão de quem se denomina irmãos. Por isto, a atitude de buscar o irmão faltoso deve se dar com o empenho de resolver a questão na base do arrependimento e perdão. Muitas vezes esta atitude não é realizada com a devida humildade. Quando procuramos alguém para buscar uma reconciliação por algo que nos magoou precisamos estar com espírito humilde para ouvir as reclamações da outra outra parte. Não devemos estar movidos pela soberba de achar que o outro vai ouvir nossas reclamações sem ter as dele para expressar. O escritor da Carta aos Hebreus orienta os cristãos da seguinte forma: “exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado”(Hebreus 3;13). Neste texto a ordem de exortação vem acompanhado da palavra “mutuamente”, ou seja, um ao outro. Não podemos querer ser apenas o mestre da instrução de reconciliação, precisamos estar preparados para ser também o aluno.
4)E se fracassarmos no objetivo de reconciliação?
Cristo já previu esta situação mais comum do que deveria ser. Como pecadores , ele já sabia que teríamos dificuldade para realizar esta missão com sucesso. Por isto determina que, após a exortação pessoal e se esta fracassar, envolvamos outros que queiram ajudar a resolver o problema e em última instância a Igreja(vs 16-17), na condição de instituição. O cerne aqui é que Cristo não aceita que o problema seja deixado sem solução. “Irai-vos mas não pequeis, não se ponha o sol sob a sua ira”, é o que diz Efésios 4:26. Não deixe para depois o que pode te consumir com o tempo. O tempo não resolve conflitos, ele apenas os tira da memória presente. Mas as cicatrizes não desaparecem. Para que cicatrizes desaparecerem é preciso um tratamento que enfrente o problema. O tempo não cura nada, apenas anestesia as dores e endurece as cicatrizes.
5)Por que é tão difícil proceder da forma que Cristo ordena?
Listo abaixo algumas atitudes que consideram como fontes de bloqueio para agirmos da forma determinada por Cristo.
5.1)Orgulho. Temos a falsa idéia que procurar humildemente quem nos magoou é um ato que diminui nossa dignidade/autoridade/honra. Nos consideramos tão melhores do que o outro que não queremos correr o riscos para nossa reputação caso o outro não aceite nossa exortação e ainda nos confronte com possíveis erros. Não queremos correr o risco de que o outro mostre nossas falhas.
5.2)Presunção. Presumimos que o outro sabe que nos magoou e que portanto é bobagem se expor (arriscar a reputação) procurando-o. Isto nos faz aumentar a mágoa, pois o consideramos indiferente ao nosso sofrimento. Presumimos até que sabemos qual será a reação de nosso irmão. Colocamos nossa presunção acima da ordem de Deus e consideramos que não resolverá nada procurar o outro. Nossa presunção de saber o que pode acontecer nos intimida a ficar inertes.
5.3) Falta de fé na condução de Deus no processo.
Fazemos o julgamento dos riscos que estamos sujeitos a seguir desta forma e nos esquecemos que , se cremos em Cristo como nosso Salvador de nossas almas, temos que confiar que ele nos concederá forças para cumprir sua lei e se submeter aos resultados desta sujeição, mesmo que não seja o que esperamos. Quando temos fé verdadeira em Cristo como Senhor das nossas vidas creditamos a ele os sucesso de nossas ações e o suporte para enfrentar as consequências negativas dos fracassos, mesmo quando fazemos Sua vontade. Deus tem seus planos, propósitos e objetivos em toda e qualquer crise. Cabe a nós cumprirmos Sua Vontade, de forma “digna a vocação que fomos chamados “ (Efésios 4:1) e confiar que Ele sempre há de nos suportar independentemente do aparente e provisório insucesso.
Conclusão: Oh! quão bom e agradável é que vivam unidos os irmãos, nos diz o Salmo 133:1. Não apenas a Igreja, mas em toda organização desejamos viver um ambiente de união. O exemplo de Deus Pai que nos instiga ao arrependimento e nos perdoa quando nos confessamos a Ele nossos pecados, deve ser o modelo que nos inspira a sermos sinceros, leais, transparentes, humildes e dispostos a perdoar. Isto criará as condições necessárias para o entendimento e reconciliação nas muitas crises que enfrentaremos com nossos queridos. As crises e decepções sempre ocorrerão, cabe a nós amadurecer no controle de nossos sentimentos e ações para resolvê-los da melhor forma possível.

Comentários
Postar um comentário